sexta-feira, 9 de maio de 2008

Lado C em Jaboticabal (ou o começo de tudo...)

2006...A idéia já estava literalmente no ar...
Matéria de TV que fizemos para para o programa Região, na matéria de Realização 1 pro curso de Imagem e Som da UFSCar...
Já estávamos com a cabeça e o coração na parada...
Saudade da banda, que depois de uma breve pausa, deve voltar esse ano...
vamo ae rapaziada, queremos ver...



Realização: Felipe Silva, Daniela Teixeira e Jovem Palerosi

terça-feira, 6 de maio de 2008

Programa 44 - Entre o Céu e o Inferno

Programa histórico, hein...
Ao vivão, salada musical, diversidade viva nas ondas do seu rádio (e da web também).
Primeiro um bloco de Canções Eróticas; em ritmos suaves e instigantes fazendo a cama sonora para vozes femininas calientes, sussurrantes, provocantes e pecadoras...
Depois, uma seleção com os Malandrões da Gringa; rapaziada boa (e agilizada) que lançou trampos na Europa, em parceria com nomões da música internacional...Isso tudo, em meio às correrias e apertos no estúdio pro que seria o próximo quadro o Momento Re(li)gião com o Ideologia Cristã. Grupo de hip hop sanca vice que vai lançar seu disco "Quebrando Preconceitos" no próximo dia 16 por aqui...Bom bate papo com o Jaelson (Mc e articulador), e 2 sons ao vivo, redondíssimos, graças à biga band (sério, tinham 14 pessoas aqui) e ao trampo mais uma vez genial de Daniel Roviriego (salve D2. O fervor da rapaziada esquentou a noite fria que tava rolando e levantou o astral da UFuscar...a gente viu gente dançando hein...
Na emenda, vencendo as dificuldades técnicas e lidando com o improviso, entrevistamos pelo telefone o Eduardo Ramos, da Slag Records no Brado Retumbante...Filosofias e reflexões sobre o antes, o agora e o depois da cena, de quem viu o nascimento e a morte do formato CD. (Não é brincadeira, os caras chegaram a lançar mais de 30 fitas K7!!!)
E pra finalizar, por que não, um bloco Eletro/Experimental pra variar um pouquinho...Projetos de homens solitários, ou de figuras mais consagradas como o SP Underground ou Iggor Cavallera com sua companheira, no projeto Mixhell pra terminar quebrando tudo...
Na despedida explicamos algumas urucubacas digitais que nos impossibilitaram de nos comunicar com nossos amáveis ouvintes...treta...
Mas rolou um energia muito boa no final, todo mundo muito satisfeito...
Não perca a reprise Sábado, às 15h!!!
E a partir de amanhã, a versão redux desse programa já está no www.foradoeixo.org.br
Inteh

fotos: Dani Teixeira

segunda-feira, 5 de maio de 2008

3 na Massa - Na Confraria das Sedutoras (2008)

Respiração intensa, espaçada, breves sussurros, o fôlego se acaba, riso, choro, lamentos, desilusões, descobertas, encantos, erros e acertos do corpo, mente e alma.
Três na Massa é o projeto encabeçado por Rica Amabis (produtor do Coletivo Instituto), Sucinto Silva (Dengue) e Pupillo da Nação Zumbi, que ganha corpo a partir do momento em que reúne a nata dos compositores e das artistas mais expressivas da música popular brasileira contemporânea. Os mais doces sentidos, os mais indescritíveis pensamentos e prazeres das almas femininas nascem de leituras masculinas e ganham a interpretação das belas vozes das moças. "Na Confraria das Sedutoras" é um disco narrativo de experiências, sensações, desejos carnais e espirituais de meninas que se tornam mulheres. Tudo isso aliado a uma cama instrumental que mescla diversos elementos orgânicos e programações eletrônicas, passeando com sensualidade e originalidade por diferentes paisagens.
Logo no início, como em um cabaré francês Leandra Leal exibe-se e com convicção convida-nos para experimentar as diversas sensações que serão propostas a partir de sua imaginação fértil.
Na seqüência, Thalma de Freitas dá corpo às inconfundíveis métrica e tonalidade de Jorge Du Peixe, e com muito ritmo vai por caminhos difíceis de se perder, lugares onde já fora encontrada a parceria para o amor.
Mas Céu, uma das principais musas do projeto, rasga qualquer tentativa de razão com sua voz suave e, com os versos de Júnio Barreto, leva-nos a paraísos sinestésicos intimistas, coloridos pelos embriagados arranjos de metal que se contrapõem aos timbres sintetizados. Do compositor pernambucano também encontramos Morada Boa, sambinha mais à sua moda, um discurso romântico e apaixonado.
O brega (sempre ele) também marca presença forte no disco, como na perda da timidez nas vontades de Nina Becker em O Objeto, do Mombojó, ou nos jogos de olhares de Rodrigo Amarante em Tatuí, esta ilustrada pelos teclados e guitarras do Cidadão Instigado Fernando Catatau.
O disco também navega por outros universos rítmicos, incorporando latinidades e outros ares tropicais em músicas como Certa Noite e Quente como Asfalto. É preciso cuidado para não derreter nessa letra de China, que ganha ainda mais calor com os sussurros de Cyz, com sua volúpia e o êxtase quase infinito dos encontros casuais.
As vinhetas e vozes que introduzem algumas musicas estão sempre a nos lembrar dos desejos e das sensações mais íntimas e cruas. Mas há também um lirismo apurado que nos leva mais a fundo, como na bela Lágrimas Pretas, que nasce da inusitada parceria de Lirinha (do Cordel do Fogo Encantado) com uma Pitty de voz macia e leve, ou também Estrondo, canção-despedida visceral, de autoria de Rodrigo Brandão do Mamelo Sound System. Aliás, sua parceira de banda, Lurdez da Luz, talvez seja a lady com mais moral dentro do disco; a única que compôs e cantou sua música, Sem Fôlego, desabafo sobre uma paixão nada santa que se reencontra no acaso do cotidiano de uma cidade grande.
Vida e morte, amor e ódio, e o pecado sempre próximo, é preciso estar sempre pronto. Os devaneios mais íntimos das sedutoras e dos sedutores já estão expostos a todos. Somos a prova viva da expressão, tarde demais para nos tornarmos santos.

Rodrigo Jovem Palerosi
Estagiário de Programacao Musical
São Carlos, 24 de março de 2008

DJ Dolores - 1 Real (2008)

Diretamente das calçadas abarrotadas e do ar pesado do calor recifense, em direção a todo globo terrestre, é lançado pelo selo belga Crammed o mais novo álbum de um dos maiores nomes da música brasileira contemporânea: Hélder Aragão, vulgo DJ Dolores.
Referência internacional na mescla entre as pesquisas de ritmos regionais aliados ao que há de mais interessante nos beats eletrônicos, o músico dá seqüência aos seus trabalhos anteriores, com 13 novas músicas que sintetizam gêneros, estilos e, por que não, mundos diversos. Para isso, é marca de seu trabalho o papel de agregar importantes peças da música brasileira e internacional; Mônica Feijó, Silvério Pessoa e Hugh Cornwell (da banda inglesa The Stranglers). Fernando Catatau (Cidadão Instigado), Júnior Areia e Bactéria (Mundo Livre S.A.) e o polivalente Yuri Queiroga são alguns dos nomes do time que compôs "1 Real".
O ponto chave da estética do disco é a pobreza e a desigualdade social tão incrustadas em sua terra, que, vista pelo prisma de suas experiências e vivências, faz com que ele conceba um álbum que considera mais pessoal. É das ruas que vem o nome do disco, uma referência às promoções dos fast-foods vendidos pelas esquinas e cantos de ponte da manguetown.
As quatro primeiras músicas, quase que em bloco, chegam para conquistar tanto os maiores fãs de seu trabalho, quanto outros ouvidos mais desavisados. Com a faixa de abertura "Deixa Falar", ele nos lembra como sabe dizer sobre sentimentos populares, ao mesmo tempo em que põe todos para dançar na pista. Assim, como em "Cala Cala", ele conta com a ajuda de sua fiel parceira Isaar para trazer à música um humor irônico, que ganha ainda mais força ao vivo, com Dolores assumindo os backing vocais.
"Tocando o Terror" é a prova de que o brega está mais do que enraizado na música nordestina. A letra, cantada por Tiné (da Academia da Berlinda), remete-nos a um carimbó cadenciado, mesclado com outros ritmos latinos, a guitarrada e outras levadas de bailes populares. "Proletário" fecha essa primeira parte quase como um manifesto de resistência, dançante e rico nas texturas das vozes e, principalmente, nas linhas de rabeca, que voltam a aparecer como nos tempos da Orquestra Santa Massa.
"Wakuru" inaugura uma segunda parte, mais universal e experimental, como em seus primeiros trabalhos. Agora não há mais fronteira para línguas e temos letras ou esboços de frases em japonês, francês e inglês. Musicalmente, há espaço e destaque para tudo, de pífanos psicodélicos a rabecas loopeadas, sintetizadores futuristas e timbres de acordeom que nos remetem aos eletro-tangos, como em "Números" e "The Mind Inspector". A embriagada "Flying Horse" também se destaca como uma das principais canções ao trazer elementos de eletro-rock, surf-music e drum'bass e dar grande destaque para o trompete jazzístico do Maestro Forró, outro fiel escudeiro.
Já a paisagem sinestésica de "Mutant Child", lembra-nos de um Dolores compositor de grandes trilhas para teatro e cinema, onde teve seu início de carreira. Não precisamos de letras para entender a mensagem; apenas deve-se sentir.
No final do disco, ainda encontramos uma melancolia lírica com "Saudade" e o apelo final de "Danger Global Warming", que com muitos recortes e samplers nos lembra que a mãe terra está queimando e que as fumaças negras estão em nossos olhos. Nada mais urgente e necessário para o mundo... assim como sua música.

São Carlos, 18 de Fevereiro de 2008
Rodrigo "Jovem" Palerosi
Estagiário de programação da Rádio UFSCar

Cibelle - The Shine of Dried Electric (2007)

Segundo cd de Cibelle, cantora e compositora brasileira radicada em Londres. São 14 faixas, ou melhor, 14 pérolas sonoras riquíssimas de tons eletrônicos, rumores escondidos e vozes sussurradas, fruto de uma pesquisa de matriz global que nos leva das terras geladas de Bjork e Koop até a América onírica e surreal de Tom Waits, sem esquecer as raízes brasileiras dos mestres Tom e Caetano.
Realizado entre Londres, Paris e São Paulo com os produtores Mick Linsday e Apollo 9, The Shine Of Dried Electric Leaves é um disco para descobrir lentamente, para saborear os sussurros de Spleen na belíssima "Green Grass" (T. Waits), a voz quente e envolvente de Devendra Banhart em "London, London" (C. Veloso) e um insólito Seu Jorge em "Arrete là, Menina", tudo isso sobre um amálgama de sons eletrônicos e acústicos que se revelam pouco a pouco.
Uma produção que visa o mundo da música global, ainda pouco explorado e que, sem dúvida, nos reserva muitas surpresas, dentre elas, Cibelle.

Mauro Lussi
Programador Rádio UFSCar
22 de maio de 2007